terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Consciências...

Falando de consciência, do que realmente importa e do que é verdadeiramente indispensável.
Tenho medo. Por vezes tenho mesmo medo. Medo de mostrar quem sou.
Não de dizer que sou a Vera, de dizer a minha idade, a minha morada ou os meus interesses. Mas medo de mostrar o meu Eu, talvez até tenha medo de mim.
Medo de não ser aquilo que quero, medo de que as minhas expectativas estejam erradas, e aí tudo desabe.
Tenho medo, e a palavra certa é mesmo esta. Medo de me refugiar demasiado em alguém como um dia o fiz, e de depois não ser mais capaz de sair. Medo de me mostrar até ao fundo, de me entregar e depois a fuga ser impossível. Sim, é mesmo isso que tenho, tenho medo.
Porque um dia entreguei-me, entreguei-me mesmo de corpo e alma, e é só nessa gente que confio. Apenas nessa gente, porque é merecedora da minha entrega total. Merecedora de mim, do que sou mesmo, do que me vai dentro, e só essa gente sabe o que penso até ao fundo, até às entranhas mais profundas, que por vezes nem eu conheço. Só essa gente, que ri e chora comigo. Dentro de mim, nas minhas veias que um dia congelaste, ainda corre sangue, e agora está quente, porque essa gente está aqui. E está agora como vai estar amanhã, como vai estar depois, e como vai estar quando morrer. Porque só essa gente me vê como sou, e não pelo que mostro ser. Aquilo que é invisível aos olhos, aquilo mais ninguém vê porque eu não quero. Porque eu não preciso.

Era impossível viver sem me entregar, sem vos ter aqui. Era impossível, pois um dia, quando tudo desabasse, não iria ter onde chorar e aí, até viver seria inútil.

3 comentários:

Anónimo disse...

Parabéns Verinha!
Que a prosa soe sempre a poesia na tua vida.

V.Matias disse...

Obrigada !!
Quem és ? :s

Anónimo disse...

Qualquer dia vais saber